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Por que escolhi o jornalismo como profissão

Por que escolhi o jornalismo como profissão

Texto para o Curso Abril de Jornalismo

Quem sou eu e por que escolhi o jornalismo como profissão? Antes de cravar uma resposta foi preciso desfazer em minha memória um passado de mais de dez anos ou, para ser mais preciso, doze.

Aos oito anos de idade – hoje estou com 21 – tive uma professora de Redação que motivou minha classe a produzir um jornal mural. Ele receberia atualização semanal e teria um coordenador. Acabei me destacando no meio dos colegas. Da turma da sala, era o único que assinava jornais e revistas e as recebia em casa. O trabalho se estendeu por mais dois anos e nunca mais tirei uma certeza: quero ser um jornalista.
Jornalista! Nada mal para um dos seis mil habitantes de uma cidade interiorana das Minas Gerais. Mas os anos passaram, chegou o colegial e junto uma porção de pessoas na minha cabeça. Administração, Rádio e Televisão, Economia e até Letras.

A lista de sugestões era tanta que se dependesse de um professor eu teria parado num curso de Engenharia Eletrônica, pelo simples fato de gostar de televisão.

Vencida a fase, uma nova pergunta. Desta vez era a experiência em pessoa: minha professora de Língua Portuguesa, a mesma que me despertou o lado jornalístico. Ela dizia: “Seria você um bom contador de histórias?”. Talvez a resposta pudesse até parecer simples, mas não para um adolescente de quinze anos com muitas espinhas na cara, um negócio próprio consolidade e ainda os pais te pressionando para dar continuidade aos negócios da família.

Assim como “nem tudo que reluz é ouro e nem tudo que balança cai”, quase me dispersei. De volta ao passado, lembrei mais uma vez da divertida fase da escola primária. Eu, Rodrigo Alves, coordenador de jornal da Escola Felipe dos Santos. Nada mal para uma escola estadual de 500 alunos. Mas o que fazer para ser jornalista?

Fui procurar respostas e me debrucei com material talvez jamais requisitado na empoeirada biblioteca de minha cidade: um manual de redação e estilo para jornalistas do jornal Folha de S. Paulo, provavelmente doado por alguém.

A visita à biblioteca se estendeu a outras três ou quatro semanas. Não era para leitura. Queria renovar o precioso material. Afinal, pensava inquieto, ele não caiu na minha mão por acaso!

Depois disso até fiz uma sugestão nas aulas de Redação: que tal se a cada semana todos fizessem um texto sobre um fato que saiu no jornal? A aceitação, por partes de alguns, não foi das melhores. Mas convenci quem mais precisava: a professora.
Tanta leitura assim motivou a diretoria da escola a assinar os jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo para os nobres alunos. “Mas não bastava apenas folhear aquelas páginas”, dizia a professora. “Vocês precisam acompanhar as notícias na televisão para comparar e descobrir a verdade. E tem também o noticiário do rádio”, completava ela.

As dicas podem não ter sido seguidas por meus colegas de classe, mas mergulhei na idéia. Dois meses depois já estava com quase 0,75 graus de miopia no olho esquerdo e descobri também a internet, que acredite, na época era por conexão discada e via interurbano. Mais dois meses: um grau de miopia.

Controvérsias e descontentes à parte, cheguei ao Ensino Superior decidido a ser um jornalista. Já em São Paulo, ou melhor, Piracicaba, que decepção! Cortaram o diploma. Agora qualquer um pode ser repórter de televisão. Mais uma etapa superada. E para completar o diagnóstico, a ficha caiu: profissão jornalista, sinônimo: salário pequeno.

Para quem carrega a profissão no sangue, independente do salário, jornalismo é jornalismo! Eu quero que macacos me mordam, que Judas perda a bota, mas não quero desistir de um ideal. Nem que seja para fazer um jornal em minha terra natal, Inconfidentes, em Minas. Lá também existem notícias, mesmo que sejam as de igreja.

Quatro anos se passaram e a convicção ainda está presente. O jornalismo, independente do ambiente de trabalho, é sempre o mesmo. Muda a estrutura, o salário, o computador, mas não a essência: escrever a verdade, sempre. Isso sem entrar na discussão ética da profissão, até porque, um jornalista, antes de ter ética na profissão, precisa mantê-la como cidadão.

Essa narrativa faz uma pequena descrição de fatos e impressões que tive antes de escolher o ofício. Depois de quatro anos, alguns “freelancers” e experimentalismo nos laboratórios, quero desempenhar um trabalho onde “escrever bonito” não seja apenas a regra geral. É apurar bem e exaustivamente. E rememorar que o jornalismo sempre será envolvente.

Texto produzido para a seleção do Curso Abril de Jornalismo 2004, no qual 1800 pessoas se inscreveram. Fui aprovado, mas por motivos pessoais não cheguei a freqüentar a turma.

Comentários»

1. Andrea Raquel Martins Corrêa - 12/07/2009

Parabéns pela aprovação, Rodrigo.
Lamento que no Brasil o estudo e a qualificação de quem se dedica tem sido de tão pouca valia. Compartilho com você grandes frustrações também, neste sentido. Porém, precisamos resistir. Fazer o que gostamos é uma das formas de marcar nossa força e resistência.
abraço

2. CLAUDINA BRUGINI DE REZENDE - 24/06/2009

OLÁ RODRIGO BEM ACHO QUE VOCÊ LEMBRA DE MIM…..CLAUDINA…….AMIGA DA JANAINA…….NOSSA FOI UM ACASO ENCONTRAR SEU BLOG QUE PORVENTURA É MUITO BOM, ADOREI SEX TEXTO ACIMA, VOCÊ FOI AUTÊNTICO….PARABÉNS PELO SEU SUCESSO COMO JORNALISTA……..BJS ATÉ MAIS