Pão e circo

Terceiro espetáculo a ser apresentado em 2010 no Teatro Municipal Dr. Losso Netto, “Minhas Criadas”, da Cia. de Teatro São Genésio, mostra a forma como a plateia piracicabana destrata apresentações com nomes que não estejam no circuito nacional de teatro e/ou televisivo.

Com patrocínio da ArcelorMittal e com projeto reconhecido pelo ProAc (Programa de Ação Cultural) do Governo do Estado de São Paulo, a trupe esteve em Piracicaba nos dias 13 e 14 de março. Para quem compareceu no sábado, dia em que a casa de espetáculos costuma ter maior frequência, ficou a sensação de espanto: das 670 poltronas, foram ocupadas, no máximo 200.

O preço da atração talvez não sirva para justificar a ausência ao teatro: R$ 5 para estudantes, professores, idosos e carteirinha Unimed e R$ 10 para os demais. Divulgação também não faltou, pois todos os jornais da cidade anunciaram a atração, várias newsletter foram disparadas pela própria Unimed e sem contar as placas da Ação Cultural pelas ruas da cidade.

Fato semelhante ocorreu na semana anterior na atração inaugural do teatro. “Usufruto”, apresentado no dia 5 de março por Lúcia Veríssimo, teve 250 espectadores, se muito. Mas neste caso talvez a data justificasse: uma sexta-feira, e também o preço salgado (R$ 50 inteira). No entanto, Evandro Santo e sua stand up “Espia Só”, também ao custo de R$ 50 fez a bilheteria ficar esgotada.

É claro que por estar falando de três atrações, não posso usá-las como estatísticas para nada, por enquanto. Também não estive no espetáculo no domingo, 14, mas ao que tudo indica, dificilmente deve ter lotado. Mas ao longo do ano, quem sabe, consiga demonstrar o óbvio: o público de teatro atual está mais em busca de pão e circo e não da arte propriamente dita.

Quem deixou de ir perdeu uma apresentação de primeira, com atrizes gabaritadas (além de boa formação em artes cênicas, todas são muito boas na arte de interpretar), e perdeu uma trama com texto totalmente imprevisível, que aguçava a curiosidade da plateia o tempo todo.

Se você quer conferir mais comentários da peça, recomendo a leitura do texto O que fazer para o nosso teatro ganhar vida?, na página 2 do JP de hoje (20 de março), na coluna Culturando.

Sobre Rodrigo Alves

Rodrigo Alves é jornalista e atua na TV Câmara de Piracicaba. Na TV Unimep (canal 13 da Net) apresenta o programa Fronteiras da Arte, que percorre os ateliês da cidade para mostrar a história e a forma de produção dos artistas plásticos. Passou pelo Jornal de Piracicaba, onde foi repórter e editor, e pelos jornais A Tribuna Piracicabana e Todo Dia. Em assessoria de imprensa trabalhou com o deputado federal João Herrmann, na Câmara de Saltinho e na Prefeitura de Santa Bárbara d´Oeste. Também faz assessorias em cultura, como o Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba), PiraproDança (Programa Anual de Dança de Piracicaba), Virada Cultural Paulista 2011 e o projeto Conversa de Boteco.

Publicado em 20 de março de 2010, em Teatro e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 1 Comentário.

  1. Rodrigo deixo um questionamento: Será que as pessoas ficam em casa assistindo novelas? Quero pensar que não, mas algo me diz que …

    Ana Marly de Oliveira Jacobino

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