“Ensaio sobre a cegueira” – meus comentários 09/11/2008
Posted by Rodrigo Alves in Cinema.Tags: Ensaio sobre a cegueira, filme
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O filme ”Ensaio sobre a Cegueira” (no original “Blindness”) é a perfeita leitura para as telas de uma obra literária. Na literatura, veio pelas mãos do escritor português José Saramago (vencedor do Prêmio Nobel em Literatura), e no cinema pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles.
A produção foi escolhida para abrir o 61º Festival de Cannes e mostra que o diretor é capaz de militar em diferentes áreas, lembrando o sucesso que foi também ”Cidade de Deus” e “O Jardineiro Fiel“. Três são as semelhanças entre estas produções: o aspecto humanitário de seus enredos, a repercussão internacional e o fato de todas partirem da literatura.
Ao abordar uma suposta “cegueira branca” que assola a humanidade e se propaga rapidamente, Meirelles se preocupou com a direção de fotografia. As cenas recebem um branco especial, têm um tom tênue e ora mais escuro. Algumas imagens incomodam a tal ponto que a vontade é sair do cinema, mas o enredo prende até o final e dá a sensão de que apenas uma sessão não é suficiente.
Como a cegueira se propaga de tal forma, as pessoas contaminadas são isoladas num hospital abandonado e em condições desumanas, lembrando muito os manicômios do passado. Lá eles se afastam de todo e qualquer tipo de comunicação com o mundo externo. E sofrem com a escassez de comida e higiene.
Alice Braga, a atriz brasileira, tem pouco destaque. O galã Gael Garcia Bernal demora a surgir na trama, mas quando aparece mostra sua face dominadora. Se em “Diários de Motocicleta” encena o líder revolucionário Che Guevara, em “Ensaios…” é um facista que tenta dominar as pessoas ao seu redor porque conseguiu deter a comida que chega aos poucos naquele hospital.
A grande estrela é Julianne Moore (de “As Horas”). Esposa de um oftalmologista que é o segundo contaminado pela cegueira branca depois de atender o primeiro paciente contaminado, ela é a única que não foi atingida pela peste, mas prefere ocultar tal fato para se infiltrar no grupo como se fosse um deles, para ajudar o marido. Se torna, então, uma espécie de guia dos cegos.
Mas enxergar nesse universo não significa estar com o poder. Com a chegada do personagem de Gael, Julienne é apenas mais uma vítima. Vive como se estivesse cega e se entrega à dominação do grupo ligado a Gael, que explora sexualmente as mulheres em troca de alimento.
“Ensaio sobre a Cegueira” mostra como a sociedade pode ser tão brutal diante de uma dificuldade, aborda a forma como as pessoas se corrompem e a esperança que paira sobre o lugar. Tudo com muita sensibilidade. É um filme para ser visto e revisto várias vezes, para que cada um reflita sobre a nossa sociedade.
+ do mesmo
Estadão: ‘Blindness’, de Meirelles, não é fácil, mas intrigante e bem feito
IOL: Saramago: Emocionei-me ao ver o Ensaio sobre a Cegueira
Tribuna do Norte: Um Ensaio sobre a cegueira de nós mesmos
Cosmo Online: Filme Ensaio sobre a cegueira causa polêmica
Globo.com: Ensaio sobre a cegueira é deprimente, diz Times
Site oficial do filme
Aos piracicabanos leitores deste blog, vale lembrar que a produção está em cartaz no Cine Shopping Piracicaba e terá uma semana de exibição gratuita no Cine Humberto Mauro da Unimep, de 24 a 29 de novembro, de segunda a sexta às 9h, 15h e 19h30.

Crítica da France Presse, por ocasião do lançamento em Cannes
“Metáfora da sociedade humana, de um suspense angustiante, o filme de Meirelles faz do espectador uma testemunha da violência e o convida a refletir sobre o ser humano e seus mais baixos instintos, além da sua capacidade de amar e seu senso de responsabilidade.
Contudo, em meio a esta violência extrema e de caráter quase apocalípticos da história, Meirelles encontra momentos para expressar ternura e até mesmo humor”.
Vídeos
José Saramago chora na estréia de filme
Fernando Meirelles comenta reação de Saramago
Clipe do filme










Olá, Rodrigo!
Nota DEZ para Voce! O filme choca, mas é fiel à realidade social em que vivemos, atinge a grande maioria que não gosta muito de ler, mas o livro é melhor, muito melhor. Sou fã incondicional de Saramago. Um grande abraço, Maria Emília
Vale a pena ler o livro para perceber as diferenças e também o significado de muitas coisas, que no filme fica sub-entendido.
Eu acheí muito depressivo o filme!
Rodrigo: faltou dizer que este ótimo, excelente e maravilhoso filme teve cenas gravadas em sao paulo e que fernando meirreles conquistou a co-produção entre os países: Brasil, Canadá e Japão (é por causa disso que existe um elenco tao diferente, com japoneses, brasileiros e europeus. Vou assistir ao filme com certeza de novo no CineHumberto da Unimep.
Sobre o filme Ensaio sobre a cegueira achei muito boa a atuação do médico (marido da Juliene Moore). Mais ainda na parte q ele transa com uma garota de programa. A mulher vê mas não tem reação alguma… É nessas horas que ela tbem se torna-se uma cega. Ela vê, mas não reage, porque compreende aquela situação e sabe que nao passa de desespero.
Rodrigo, parabéns pela crítica. Estou acompanhando o seu blog com frequencia.
A reacao do Saramago eu acompanhei no programa do Jo Soares e já sabia q o filme estava agradando.
Tbem me senti inquieta e com vontade de sair do cinema por que tem horas q o filme agride os nossos olhos…
Realmente lamento o filme nao concorrer ao Oscar. Merece!