“Sambexplícito”, de Caio Silveira Ramos 07/11/2008
Posted by Rodrigo Alves in Literatura.Tags: Germano Mathias, livro, Sambexplícito
trackback
Olá caros leitores, no caderno Fim de Semana do JP (07/11/08) você pode conferir a cobertura do lançamento do livro do ilustre piracicabano Caio Silveira Ramos, que faço questão de postar aqui. Uma noite muita boa!
A Livraria da Vila, tradicional ponto cultural da badalada Vila Madalena, em São Paulo, estava com um clima descontraído e para lá de festivo na noite de anteontem.
O motivo era o lançamento do livro “Sambexplícito – As Vidas Desvairadas de Germano Mathias”, do piracicabano Caio Silveira Ramos, 37, que traz uma biografia sobre o maior difusor do autêntico samba sincopado.
A noite de lançamento começou às 19h e se estendeu até praticamente 23h. Entre os presentes estavam apreciadores do legítimo samba paulistano, estudiosos da música, fãs de longa data de Germano e até um público mais jovem.
Nomes como Francisco Aguiar, médico do Hospital das Clínicas de São Paulo e estudioso do samba, a antropóloga Betty Mindlin, o cartunista Paulo Caruso, entre outras figuras.
Da safra piracicabana, prestigiaram o lançamento a mãe de Caio, Jandyra Silveira Ramos, e o ex-vereador José Otávio Mentem.
O primeiro a chegar ao local foi o professor de história aposentado Nicola Gris, 68, que acompanha a carreira de Germano desde os 14 anos.
“Ouvia sua música nos programas de calouros no rádio”, disse Gris, que guarda em sua casa vários bolachões do sambista. “A vantagem do Germano é que ele canta e dança ao mesmo tempo. Os sambistas da nova geração que me desculpem, mas só sabem cantar, quando muito.”
Um dos mais solicitados na noite era o sambista Osvaldinho da Cuíca, 68, fiel escudeiro de Germano. “O pecado que se cometeu contra a cultura popular, principalmente na cidade de São Paulo, é que quase nada se registrou. E continua do mesmo jeito, a minha geração está indo embora e ninguém dá importância. É um crime sem perdão. Este livro é um documento precioso, que sinaliza a necessidade de se descobrir São Paulo. É uma iniciativa de um anônimo como o Caio que fortalece a nossa cultura. Quando digo anônimo, não estou desvalorizando-o. É que ele não é jornalista de profissão, não é historiador, mas está preocupado com esse passado importante do país”, avaliou Osvaldinho.
Caio, por sua vez, se posicionou ao lado do ídolo e comemorou a boa receptividade da obra.
“Fico muito feliz em ter amigos tão generosos”, disse. “Acho que a idéia foi bem recebida e o importante é ver o Germano feliz”, completou o piracicabano, que planeja para este mês lançamento com direito a roda de samba com o grupo Inimigos do Batente, no bar Ó do Borogodó, na região da Vila Madalena, e em dezembro no Sesc Piracicaba.
Perto de completar 55 anos de carreira, Germano era só alegria. Não demonstrou abatimento ou cansaço, apesar dos 74 anos.
O sambista soube fazer seu show até mesmo sem cantar. Entre uma dedicatória e outra, descontraía o ambiente com sua singular simpatia.
“Nunca fui tão considerado na minha vida”, disse, enquanto abraçava um dos presentes.
Na sequência, se mostrou surpreso ao ver duas fotografias antigas suas, entregues por um fã.
De imediato, autografou o verso e mais uma vez arrancou risadas entre os presentes. “Nesse tempo eu destruía corações”, brincou o paulistano do bairro do Pari.
Quando o repórter estava para iniciar a conversa, o sambista jogou a pergunta: “Você gosta de mim?”. Respondi: “Sim, claro!”. E Germano completou: “Não tenho culpa do seu mau gosto!”.
Germano disse que a primeira vez que ouviu de Caio a sugestão do livro, menosprezou a idéia. Achava que sua história não havia atingido patamar suficiente para ganhar uma obra literária. “Eu dizia pro Caio o seguinte: vivi muito no meio da malandragem, não tenho muito o que falar e sequer me lembro das coisas direito”.
Mas aos poucos ele foi vencido pela idéia e revirou suas memórias. Passou, então, de amigo a biografado. “Não gosto de datas e o que passou para mim, passou. Penso sempre no futuro.”
Germano, além de ter descoberto um admirador e amigo, se disse satisfeito por encontrar um letrista brilhante. “Esse rapaz tem muito valor, é de sentimento e muita inspiração como compositor. É por isso que em todas as minhas apresentações, sua música é o meu carro-chefe. Eu faço a abertura com o samba dele, que é ‘Lua Nova’”, comentou o Catedrático do Samba, que fez questão de cantar a letra por completo enquanto era entrevistado.
PS: Leia a matéria publicada por mim no Caderno Movimento. Clique aqui ou vá até o canto direito da página e selecione Minhas matérias.
+ do mesmo
Prefácio de Sambexplícito, por Walnice Nogueira Galvão
Resenha do livro, por Mauro Ferreira
Release do livro no Portal Literal
Reportagem do Jornal O Estado de S. Paulo










Rodrigo,
Li sua matéria no Jornal de Pira. Não pude ir, estudo a noite e ainda mais sendo em sampa…
Quando for em Pira me envie um e-mail
Este Germano deve ser uma figura e quero mto ir, mesmo para matar aula. Seu blog está bom e gostozo de acompanhar